Um Campo magnético é uma região do espaço onde se manifesta o magnetismo, através das chamadas acções magnéticas. Estas acções verificam-se à distância e apenas algumas substâncias são influenciadas pelo campo magnético.

sexta-feira, agosto 31

Volverán las oscuras golondrinas


Volverán las oscuras golondrinas
en tu balcón sus nidos a colgar,
y, otra vez, con el ala a sus cristales
jugando llamarán;
pero aquéllas que el vuelo refrenaban
tu hermosura y mi dicha al contemplar,
aquéllas que aprendieron nuestros nombres...
ésas... ¡no volverán!

Volverán las tupidas madreselvas
de tu jardín las tapias a escalar,
y otra vez a la tarde, aun más hermosas,
sus flores se abrirán;
pero aquéllas, cuajadas de rocío,
cuyas gotas mirábamos temblar
y caer, como lágrimas del día...
ésas... ¡no volverán!

Volverán del amor en tus oídos
las palabras ardientes a sonar;
tu corazón, de su profundo sueño
tal vez despertará;
pero mudo y absorto y de rodillas,
como se adora a Dios ante su altar,
como yo te he querido..., desengáñate:
¡así no te querrá
Gustavo Adolfo Bécquer (1836-1870)



Para ti y solo para ti C. .
h.
Soneto de fidelidade


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinícius de Moraes (1913 - 1980)

quarta-feira, agosto 22


Rui Costa
(© Miguel Vidal/Reuters)

segunda-feira, agosto 6


dont loose it...
by Gundega Dege

segunda-feira, julho 30

























Ernst Ingmar Bergman ( 1918 — 2007)


obrigado.

quinta-feira, julho 26

"Aprendo a ver. Não sei por que motivo, tudo penetra em mim mais profundamente e não se imobiliza no ponto em que se costumava extinguir. Tenho uma interioridade que desconhecia. Tudo agora para aí se encaminha. Não sei o que aí se passa.
Quando hoje estava a escrever uma carta apercebi-me de que estou aqui apenas há três semanas. Três semanas em qualquer outro lugar, no campo, por exemplo, seriam como um só dia, aqui são anos. Também já não quero voltar a escrever cartas. Para que hei-de dizer a alguém que me estou a transformar? Se me estou a transformar, já não sou aquele que fui, e sou diferente do que era até aqui, por isso é óbvio que não conheço ninguém. E é impossível escrever a pessoas desconhecidas, a pessoas que não me conhecem."



Rainer Maria Rilke

quarta-feira, julho 25

blah blah blah

quinta-feira, março 15



Comecei uma "rádio". Não sei se vai resultar - se alguem vai ouvir as minhas escolhas frequentemente - mas espero que sim. Vamos a ver no que dá...

terça-feira, dezembro 12

segunda-feira, agosto 28

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

sábado, agosto 19

Não posso começar por dizer o teu nome
é um espécie de interdição
o teu nome diz-te como se pudesse ser o teu nome

não quero perder-te não
não te quero encontrar na luz da minha linguagem
não posso distinguir-te através do nevoeiro
de uma cidade abandonada

de um porto escuro sem abrigo

tu não és uma mulher nem um corpo nem uma auréola
conheço-te como se tivesse perdido
como se não pudesse perder-me
como se não tivesse medo
de me perder
na intensidade da noite
na nudez imensa
de uma cidade abandonada

(eu tinha fugido de uma tribo
onde voltava sempre
de onde não podia fugir
interminavelmente
de onde fugia
sem poder fugir)

só para ti eu escreveria este poema
que os outros qualificariam como entenderiam
só tu o receberias
como se não o pudesses qualificar
Maria Isabel

quarta-feira, março 1

Março voltou

Março voltou, esta
ácida loucura de pássaros
está outra vez à nossa porta,
o ar

de vidro vai direito ao coração.
Também elas cantam, as montanhas:
somente nenhum de nós
as ouve, distraídos

com o monótono silabar do vento
ou doutros peregrinos.
Já sabeis como temos ainda restos
de pudor.

e pelo mundo
uma enorme, enorme indiferença.

Eugénio de Andrade

Que música escutas tão atentamente

Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.



Eugénio de Andrade
(Coração do dia)

quinta-feira, janeiro 19


no comments!

domingo, janeiro 8

I Don't Want to Get Over You


I don't want to get over you.
I guess I could take a sleeping pill and sleep at will
And not have to go through what I go through.
I guess I should take Prozac, right,
And just smile all night at somebody new,
Somebody not too bright but sweet
And kind who would try to get you off my mind.
I could leave this agony behind which is just what I'd do if I wanted to,
But I don't want to get over you cause
I don't want to get over love.
I could listen to my therapist, pretend you don't exist
And not have to dream of what I dream of;

I could listen to all my friends and go out again and pretend it's enough,
Or I could make a career of being blue
I could dress in black and read Camus,
Smoke clove cigarettes and drink vermouth like I was 17 that would be a scream
But I don't want to get over you.


Stephin Merritt



há sempre uma música certa para uma altura certa... Esta letra é das melhores de sempre e vai continuar a ser... até que haja música. Não é que seja uma obra prima literaria, nem é que se desdobre em muitas figuras estilisticas... mas não é fácil escrever sobre certas situações e manter a sobriedade. Escrever músicas ao balcão... assim é que deveria ser sempre.

terça-feira, dezembro 27

As palavras são coisas


Falamos das coisas e elas acontecem

por isso ciciamos o que nos pede o corpo

não são as coisas só aquilo que dizemos

nossas pobres palavras não as dizem inteiras?

As palavras são coisas, extremas, luminosas,

quando tu dizes porta, há uma porta que se abre

quando tu dizes sexo, há um amor que se cumpre

não sabemos sequer o poder das palavras

nem o poder das coisas nem o poder dos rostos.

As coisas são palavras feridas pela morte

são agulhas finíssimas que trespassam a noite

os teus lábios dizem coisas os teus lábios cintilam

por eles fala o mundo, por eles se faz o oiro

pois o mundo acontece sempre que o pronuncias.



de Bernardo Pinto de Almeida


sábado, novembro 26


É hoje WhoMadeWho e ....






... é hoje! (Jamie Lidell)

sábado, novembro 19

A escrita é a minha primeira morada de silêncio
a segunda irrompe do corpo movendo-se por trás
das palavras
extensas praias vazias onde o mar nunca chegou
deserto onde os dedos murmuram o último crime
escrever-te continuamente... areia e mais areia
construindo no sangue altíssimas paredes de nada

esta paixão pelos objectos que guardaste
esta pele-memória exalando não sei que desastre
a língua de limos

espalhávamos sementes de cicuta pelo nevoeiro
dos sonhos
as manhãs chegavam como um gemido estelar
e eu perseguia teu rasto de esperma à beira-mar

outros corpos de salsugem atravessam o silêncio
desta morada erguida na precária saliva do
crepúsculo



Al Berto, O Medo, Lisboa, Assírio & Alvim, 1997

quarta-feira, novembro 16

romantic rights


Your romantic rights are all that you got,
Push'em down son it's more than just lip,
C'mon girl I know you know what you want,
C'mon c'mon now and give'em all shhhh

You're beating walls now you just won't quit,
You play with shapes but they just won't fit,
I know you love me you don't know what you like,
You're watching TV I stay up all night.

I don't need you, I want you

South Carolina kid is heating things up,
His wounds are bleeding and we're filling the cup,
This game will save us if we don't die young,
C'mon c'mon yeah, have some fun.

Come here baby I love your company,
We could do it and start a family,
She was living alone, unhappily
We could do it, it's right romantically.

I don't need you, I want you



death from above 1979