sábado, setembro 10
TENHO DÓ DAS ESTRELAS
Tenho dó das estrelas
Luzindo há tanto tempo,
Há tanto tempo?
Tenho dó delas.
Não haverá um cansaço
Das coisas,
De todas as coisas
Como das pernas ou de um braço?
Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir?
Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não morte, mas sim
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão ?
Qualquer coisa assim
Como um perdão?
Fernando Pessoa
in Andrade, Eugénio de, "Antologia Pessoal
da Poesia Portuguesa", Porto,
Campo das Letras, 1999, p. 341.
Tenho dó das estrelas
Luzindo há tanto tempo,
Há tanto tempo?
Tenho dó delas.
Não haverá um cansaço
Das coisas,
De todas as coisas
Como das pernas ou de um braço?
Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir?
Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não morte, mas sim
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão ?
Qualquer coisa assim
Como um perdão?
Fernando Pessoa
in Andrade, Eugénio de, "Antologia Pessoal
da Poesia Portuguesa", Porto,
Campo das Letras, 1999, p. 341.
quinta-feira, setembro 8
A poesia como o amor faz-se na cama
Os seus lençóis desfeitos são a aurora das coisas
A poesia faz-se nas matas
Tem todo o espaço de que precisa
Não este mas o outro condicionado por
O olho do milhafre
O orvalho sobre a cavalinha
A lembrança duma garrafa de Traminer embaciada em bandeja de prata
Uma alta vara de turmalina sobre o mar
E a estrada da aventura mental
Que sobe a prumo
Pára e fica logo coberta de mato
Isto não se apregoa aos quatro ventos
Não é conveniente deixar a porta aberta
Ou chamar testemunhas
Os cardumes de peixes os bandos de melharucos
Os carris à entrada duma grande estação
As luzes das duas margens
Os sulcos do pão
A espuma da ribeira
Os dias do calendário
O hipericão
Acto de amor e acto de poesia
São incompatíveis
Com a leitura do jornal em voz alta
O sentido do raio de sol
O clarão azul que liga as machadadas do lenhador
O fio do papagaio de papel em forma de coração ou de laço
O batimento ritmado da cauda dos castores
A diligência do relâmpago
O arremesso dos confettis do alto de velhas escadas
A avalanche
A câmara dos sortilégios
Não cavalheiros não é a oitava Câmara
Nem os vapores da camarata ao domingo à noite
Os passos de dança transparentes por cima dos mares
A demarcação na parede dum corpo de mulher ao lançar de punhais
As claras volutas do fumo
Os anéis do teu cabelo
A curva da esponja das Filipinas
Os nós da serpente vermelha
A entrada da hera nas ruínas
Tem todo o tempo à sua frente
O abraço poético como o abraço carnal
Enquanto dura
Impede toda a fugida sobre a miséria do mundo
André Breton 1948
Os seus lençóis desfeitos são a aurora das coisas
A poesia faz-se nas matas
Tem todo o espaço de que precisa
Não este mas o outro condicionado por
O olho do milhafre
O orvalho sobre a cavalinha
A lembrança duma garrafa de Traminer embaciada em bandeja de prata
Uma alta vara de turmalina sobre o mar
E a estrada da aventura mental
Que sobe a prumo
Pára e fica logo coberta de mato
Isto não se apregoa aos quatro ventos
Não é conveniente deixar a porta aberta
Ou chamar testemunhas
Os cardumes de peixes os bandos de melharucos
Os carris à entrada duma grande estação
As luzes das duas margens
Os sulcos do pão
A espuma da ribeira
Os dias do calendário
O hipericão
Acto de amor e acto de poesia
São incompatíveis
Com a leitura do jornal em voz alta
O sentido do raio de sol
O clarão azul que liga as machadadas do lenhador
O fio do papagaio de papel em forma de coração ou de laço
O batimento ritmado da cauda dos castores
A diligência do relâmpago
O arremesso dos confettis do alto de velhas escadas
A avalanche
A câmara dos sortilégios
Não cavalheiros não é a oitava Câmara
Nem os vapores da camarata ao domingo à noite
Os passos de dança transparentes por cima dos mares
A demarcação na parede dum corpo de mulher ao lançar de punhais
As claras volutas do fumo
Os anéis do teu cabelo
A curva da esponja das Filipinas
Os nós da serpente vermelha
A entrada da hera nas ruínas
Tem todo o tempo à sua frente
O abraço poético como o abraço carnal
Enquanto dura
Impede toda a fugida sobre a miséria do mundo
André Breton 1948
domingo, julho 24
| Projecto de Sucessão |
Continuar aos saltos até ultrapassar a Lua |
sábado, julho 16
Um dia quando a ternura for a única regra da manhã
um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for
tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da
nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o príncipio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade.
José Luís Peixoto
terça-feira, junho 21
Os Album da minha semana foram muito calmos e contemplativos, nada de grande sobressaltos, não é altura para isso...
1. Elliott Smith - Figure 8 (2000)
2. Devendra Banhart - Rejoicing in the Hands (2004)
3. Radiohead - Kid A
As músicas ouvidas em replay:
1. Elliott Smith - Everything Reminds Me of Her
2. Bonnie "Prince" Billy and Matt Sweeney - Blood Embrace
3. M.I.A. - Pull Up The People
1. Elliott Smith - Figure 8 (2000)
2. Devendra Banhart - Rejoicing in the Hands (2004)
3. Radiohead - Kid A
As músicas ouvidas em replay:
1. Elliott Smith - Everything Reminds Me of Her
2. Bonnie "Prince" Billy and Matt Sweeney - Blood Embrace
3. M.I.A. - Pull Up The People
quarta-feira, junho 15
VEGETAL E SÓ
É outono, desprende-te de mim.
Solta-me os cabelos, potros indomáveis
Sem nenhuma melancolia,
Sem encontros marcados,
Sem cartas a responder.
Deixa-me o braço direito
O mais ardente dos meus braços,
O mais azul
O mais feito para voar.
Devolve-me o rosto de um verão
Sem a febre de tantos lábios,
Sem nenhum rumor de lágrimas
Nas pálperas acessas.
Deixa-me só, vegetal e só,
Correndo como rio de folhas
Para a noite onde a mais bela aventura
Se escreve exactamente sem nenhuma letra.
in «As palavras Interditas» (1951)
de Eugénio de Andrade
É outono, desprende-te de mim.
Solta-me os cabelos, potros indomáveis
Sem nenhuma melancolia,
Sem encontros marcados,
Sem cartas a responder.
Deixa-me o braço direito
O mais ardente dos meus braços,
O mais azul
O mais feito para voar.
Devolve-me o rosto de um verão
Sem a febre de tantos lábios,
Sem nenhum rumor de lágrimas
Nas pálperas acessas.
Deixa-me só, vegetal e só,
Correndo como rio de folhas
Para a noite onde a mais bela aventura
Se escreve exactamente sem nenhuma letra.
in «As palavras Interditas» (1951)
de Eugénio de Andrade
segunda-feira, junho 13
ADEUS
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
E eu acreditava.
Acreditava.
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
in «Os Amantes sem Dinheiro» (1950)
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
E eu acreditava.
Acreditava.
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
in «Os Amantes sem Dinheiro» (1950)
AS PALAVRAS INTERDITAS
Os navios existem e existe o teu rosto
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
partem no vento, regressam nos rios.
Na areia branca, onde o tempo começa,
uma criança passa de costas para o mar.
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.
É preciso partir, é preciso ficar.
Os hospitais cobrem-se de cinza.
Ondas de sombra quebram nas esquinas.
Amo-te... E entram pela janela
as primeiras luzes das colinas.
As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas minhas curvas claras.
Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
e estas mãos noturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.
in «As palavras Interditas» (1951)
de Eugénio de Andrade
Os navios existem e existe o teu rosto
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
partem no vento, regressam nos rios.
Na areia branca, onde o tempo começa,
uma criança passa de costas para o mar.
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.
É preciso partir, é preciso ficar.
Os hospitais cobrem-se de cinza.
Ondas de sombra quebram nas esquinas.
Amo-te... E entram pela janela
as primeiras luzes das colinas.
As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas minhas curvas claras.
Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
e estas mãos noturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.
in «As palavras Interditas» (1951)
de Eugénio de Andrade
Os albums que mais tocaram esta semana:
As músicas da semana:
até
- Smog - A River Ain't Too Much to Love (2005)
- The Decemberists - Picaresque (2005)
- Death From Above 1979 - You're A Woman, I'm A Machine (2004)
As músicas da semana:
- Smog - Let Me See The Colts, de "A River Ain't Too Much to Love"
- Death From Above 1979 - Romantic Rights, de "You're A Woman, I'm A Machine"
- Smog - The Well, de "A River Ain't Too Much to Love"
até
domingo, junho 5
Abandono-me ao ver-te de tal forma como eu sou que desejo que tudo continuasse assim, sem respirar, sem pestanejar, sem saber sequer para que lado me virar, assim indeciso, cheio de dúvidas e desatenções no caminho que intento seguir, riscando elipses pelo percurso e geometrizando a tua face sobrepondo-te os papéis e vendo-te cúbica, assim te toco as arestas e aconchego-te os vértices sem pensar sequer, sem respirar porque é uma perda de tempo desviar-me de ti, porque é mesmo um exercício de concentração no qual me perco tantas vezes que já lhes perdi a conta, assim sem nada pensar, sem nada respirar tento pronunciar cada frase mental de uma só vez, em exercícios de arrastamento que focam o movimento enérgico das palavras, apenas te inspirar naturalmente como se não te visse nem fosses tu o que vejo, dispo-te mais vezes ainda sem contar nem expirar para te manter aqui dentro de onde não possas sair, para que não valha a pena lutares porque não te vou largar, nem vou deixar que me espalhes nas memórias perdidas que cultivas em espirais tangentes ao círculo que vou desenrolando ao mesmo tempo que marco caminho, porque em ti me abandono enquanto imagens sincopadas me colorem o preto e branco reais, e são rápidos os segredos que me acompanham o pensamento, porque ao ver-te de tal forma como eu sou não me vejo eu mas como és assim, um rasgo rápido.
Texto de Patrícia Espinha
Texto de Patrícia Espinha
sexta-feira, junho 3
ROSTO
Rosto nu na luz directa.
Rosto suspenso, despido e permeável,
Osmose lenta.
Boca entreaberta como se bebesse,
Cabeça atenta.
Rosto desfeito,
Rosto sem recusa onde nada se defende,
Rosto que se dá na angústia do pedido,
Rosto que as vozes atravessam.
Rosto derivando lentamente,
Pressentimento que os laranjais segredam,
Rosto abandonado e transparente
Que as negras noites de amor em si recebem.
Longos raios de frio correm sobre o mar
Em silêncio ergueram-se as paisagens
E eu toco a solidão como uma pedra.
Rosto perdido
Que amargos ventos de secura em si sepultam
E que as ondas do mar puríssimas lamentam.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Rosto nu na luz directa.
Rosto suspenso, despido e permeável,
Osmose lenta.
Boca entreaberta como se bebesse,
Cabeça atenta.
Rosto desfeito,
Rosto sem recusa onde nada se defende,
Rosto que se dá na angústia do pedido,
Rosto que as vozes atravessam.
Rosto derivando lentamente,
Pressentimento que os laranjais segredam,
Rosto abandonado e transparente
Que as negras noites de amor em si recebem.
Longos raios de frio correm sobre o mar
Em silêncio ergueram-se as paisagens
E eu toco a solidão como uma pedra.
Rosto perdido
Que amargos ventos de secura em si sepultam
E que as ondas do mar puríssimas lamentam.
Sophia de Mello Breyner Andresen
terça-feira, maio 24
O Navio De Espelhos
O navio de espelhos
não navega, cavalga
Seu mar é a floresta
que lhe serve de nível
Ao crepúsculo espelha
sol e lua nos flancos
Por isso o tempo gosta
de deitar-se com ele
Os armadores não amam
a sua rota clara
(Vista do movimento
dir-se-ia que pára)
Quando chega à cidade
nenhum cais o abriga
O seu porão traz nada
nada leva à partida
Vozes e ar pesado
é tudo o que transporta
E no mastro espelhado
uma espécie de porta
Seus dez mil capitães
têm o mesmo rosto
A mesma cinta escura
o mesmo grau e posto
Quando um se revolta
há dez mil insurrectos
(Como os olhos da mosca
reflectem os objectos)
E quando um deles ála
o corpo sobre os mastros
e escruta o mar do fundo
Toda a nave cavalga
(como no espaço os astros)
Do princípio do mundo
até ao fim do mundo
Mário Cesariny
O navio de espelhos
não navega, cavalga
Seu mar é a floresta
que lhe serve de nível
Ao crepúsculo espelha
sol e lua nos flancos
Por isso o tempo gosta
de deitar-se com ele
Os armadores não amam
a sua rota clara
(Vista do movimento
dir-se-ia que pára)
Quando chega à cidade
nenhum cais o abriga
O seu porão traz nada
nada leva à partida
Vozes e ar pesado
é tudo o que transporta
E no mastro espelhado
uma espécie de porta
Seus dez mil capitães
têm o mesmo rosto
A mesma cinta escura
o mesmo grau e posto
Quando um se revolta
há dez mil insurrectos
(Como os olhos da mosca
reflectem os objectos)
E quando um deles ála
o corpo sobre os mastros
e escruta o mar do fundo
Toda a nave cavalga
(como no espaço os astros)
Do princípio do mundo
até ao fim do mundo
Mário Cesariny
segunda-feira, maio 23
- Onde anda você
- E por falar em saudade, onde anda você
- Onde andam seus olhos que a gente não vê
- Onde anda esse corpo que me deixou morto de tanto prazer
- E por falar em beleza onde anda a canção
- Que se ouvia nas noites dos bares de então
- Onde a gente ficava, onde a gente se amava em total solidão
- Hoje eu saio na noite vazia, numa boemia sem razão de ser
- Na rotina dos bares, que apesar dos pesares me trazem você
- E por falar em paixão, em razão de viver
- Você bem que podia me aparecer nestes mesmos lugares
- Na noite, nos bares, onde anda você
vinicius de moraes
domingo, maio 15
é verdadade, não posso deixar isso morrer... este blog já passou por muito.. é preciso dar-lhe mais uma oportunidade. Ele merece.
Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira-mar debruçadas para luz caida
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca do mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração, mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas de que alguma vez me visite a felicidade
Al Berto
Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira-mar debruçadas para luz caida
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca do mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração, mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas de que alguma vez me visite a felicidade
Al Berto
quarta-feira, dezembro 29
Já fiz a minha escolha dos melhores albums de 2004. Comecei por fazer para 20, mas depois achei que devia de fazer para 25.... e acabei por fazer para 50.... Tudo isto porque 2004 foi um ano cheio de boa música.
My Top 50 of 2004
01 - Animal Collective - Sung Tongs
02 - Devendra Banhart - Rejoicing in the Hands
03 - Franz Ferdinand - Franz Ferdinand
04 - Sonic Youth - Sonic Nurse
05 - Morrissey - You Are The Quarry
06 - The Arcade Fire - Funeral
07 - Califone - Heron King Blues
08 - Mirah- C'Mon Miracle
09 - The Magnetic Fields - I
10 - Lambchop - Aw C'Mon / No You C'Mon
11 - Panda Bear - Young Prayer
12 - Joanna Newsom - The Milk-Eyed Mender
13 - Oneida - Secret Wars
14 - The Streets - A Grand Don't Come for Free
15 - The Go! Team - Thunder Lightning Strike
16 - The Futureheads - The Futureheads
17 - Kings of Convenince - Riot On An Empty Street
18 - Elliott Smith - From a Basement on the Hill
19 - Nick Cave - Abattoir Blues-The Lyre of Orpheus
20 - Liars - They Were Wrong, So We Drowned
21 - Deerhoof - Milk Man
22 - TV on the Radio - Desperate Youth, Blood Thirsty Babes
23 - Interpol - Antics
24 - Fennesz - Venice
25 - CocoRosie - La Maison de Mon Reve
26 - Quinteto Tati - Exilio
27 - The Fiery Furnaces - Blueberry Boat
28 - Camera Obscura - Underachievers Please Try Harder
29 - Sufjan Stevens - Seven Swans
30 - Secret Machines - Now Here Is Nowhere
31 - Madvillain - Madvillainy
32 - Xiu Xiu - Fabulous Muscles
33 - Loretta Lynn - Van Lear Rose
34 - Phoenix - Alphabetical
35 - Tom Waits - Real Gone
36 - !!! - Louden Up
37 - Clã - Rosa Carne
38 - Les Savy Fav - Inches
39 - Stereolab - Margerine Eclipse
40 - Tortoise - It's all around you
41 - Handsome Boy Modeling School - White People
42 - Björk - Medúlla
43 - Black Dice - Creature Comforts
44 - Clinic - Winchester Cathedral
45 - Espers - Espers
46 - Wolf Eyes - Burned Mind
47 - The Anaksimandros - River of Finland
48 - Annie - Anniemal
49 - PJ harvey - Uh Uh Her
50 - Wilco - A Ghost Is Born
My Top 50 of 2004
01 - Animal Collective - Sung Tongs
02 - Devendra Banhart - Rejoicing in the Hands
03 - Franz Ferdinand - Franz Ferdinand
04 - Sonic Youth - Sonic Nurse
05 - Morrissey - You Are The Quarry
06 - The Arcade Fire - Funeral
07 - Califone - Heron King Blues
08 - Mirah- C'Mon Miracle
09 - The Magnetic Fields - I
10 - Lambchop - Aw C'Mon / No You C'Mon
11 - Panda Bear - Young Prayer
12 - Joanna Newsom - The Milk-Eyed Mender
13 - Oneida - Secret Wars
14 - The Streets - A Grand Don't Come for Free
15 - The Go! Team - Thunder Lightning Strike
16 - The Futureheads - The Futureheads
17 - Kings of Convenince - Riot On An Empty Street
18 - Elliott Smith - From a Basement on the Hill
19 - Nick Cave - Abattoir Blues-The Lyre of Orpheus
20 - Liars - They Were Wrong, So We Drowned
21 - Deerhoof - Milk Man
22 - TV on the Radio - Desperate Youth, Blood Thirsty Babes
23 - Interpol - Antics
24 - Fennesz - Venice
25 - CocoRosie - La Maison de Mon Reve
26 - Quinteto Tati - Exilio
27 - The Fiery Furnaces - Blueberry Boat
28 - Camera Obscura - Underachievers Please Try Harder
29 - Sufjan Stevens - Seven Swans
30 - Secret Machines - Now Here Is Nowhere
31 - Madvillain - Madvillainy
32 - Xiu Xiu - Fabulous Muscles
33 - Loretta Lynn - Van Lear Rose
34 - Phoenix - Alphabetical
35 - Tom Waits - Real Gone
36 - !!! - Louden Up
37 - Clã - Rosa Carne
38 - Les Savy Fav - Inches
39 - Stereolab - Margerine Eclipse
40 - Tortoise - It's all around you
41 - Handsome Boy Modeling School - White People
42 - Björk - Medúlla
43 - Black Dice - Creature Comforts
44 - Clinic - Winchester Cathedral
45 - Espers - Espers
46 - Wolf Eyes - Burned Mind
47 - The Anaksimandros - River of Finland
48 - Annie - Anniemal
49 - PJ harvey - Uh Uh Her
50 - Wilco - A Ghost Is Born
domingo, novembro 21
Mais uma que passou. Esta semana ouvi coisas muitas coisas despegadas em modo econo-fast. Mas a música esteve lá sempre nos momentos melhores...
Os albuns que tocaram mais:
As músicas que mais me cantaram:
Os albuns que tocaram mais:
- Talking Heads - 77 (1977)
- Coco Roise - La Maison De Mon Reve (2004)
- Devo - Q: Are We Not Men? A: We Are Devo! (1978)
As músicas que mais me cantaram:
- The 6ths - Give Me Back My Dreams
- Velvet underground & Nico - Femme Fatale
- Blur - There's No Other Way
sábado, novembro 13
Super Pop Limão - #2 (parte 3) - 8/10/2004
Luna - California All The Way
Galaxie 500 - Don't Let Your Youth Go To Waste
Archer Prewitt - Over the Line
Camera Obscura - Happy Birthday
Tindersticks - People keep comin' around
Portishead- Strangers
Eels - Fresh Feeling
Morrissey - Irish Blood , English Heart
Franz Ferdinand - The Dark of the Matinee
Sonic Youth - Pattern Recognition
Radiohead - There There
Nick Cave - Bring it On
Kings of Convenience - I'll Rather Dance
The Rapture - Sister Savior
Beulah - A Good Man is Easy to Kill
Spain - Before It All Went Wrong
The jesus & Mary Chain - Just Like Honey
Lou Reed - Walk on the Wild Side
The Smiths - There Is a Light That Never Goes Out
Portishead - Glory Box
by me.
Luna - California All The Way
Galaxie 500 - Don't Let Your Youth Go To Waste
Archer Prewitt - Over the Line
Camera Obscura - Happy Birthday
Tindersticks - People keep comin' around
Portishead- Strangers
Eels - Fresh Feeling
Morrissey - Irish Blood , English Heart
Franz Ferdinand - The Dark of the Matinee
Sonic Youth - Pattern Recognition
Radiohead - There There
Nick Cave - Bring it On
Kings of Convenience - I'll Rather Dance
The Rapture - Sister Savior
Beulah - A Good Man is Easy to Kill
Spain - Before It All Went Wrong
The jesus & Mary Chain - Just Like Honey
Lou Reed - Walk on the Wild Side
The Smiths - There Is a Light That Never Goes Out
Portishead - Glory Box
by me.
terça-feira, novembro 9
Vou ser muito objectivo.
Os albums que mais ouvi esta semana foram estes:
E pronto!!
Os albums que mais ouvi esta semana foram estes:
- The Beach Boys - Smile (1967)
- Tom Waits - Real Gone (2004)
- Panda Bear - Young.Prayer (2004)
- Galaxie 500 - Don't Let Your Go To Waste
- Kings of Convenience - Misread
- The jesus & Mary Chain - Just Like Honey
E pronto!!
domingo, outubro 31
A partir de agora, aos domingos, vou escolher três albums que mais ouvi e que mais gostei durante a semana. Os critérios de escolha são secretos!
Esta semana, escolhi estes:
Esta semana, escolhi estes:
- Galaxie 500 - Today
- Elliott Smith - From a Basement on the Hill
- Devendra Banhart - Niño Rojo
- Elliott Smith - Distorted Reality Is Now A Necessity To Be Free
- Tom Waits - Day After Tomorrow
- Lou Reed - Walk on the Wild Side
O Super Pop Limão está de volta, agora às segundas feiras das 12h às 14h!
Super Pop Limão - #1 (parte 3) - 25/10/2004
The Grateful Dead - Turn On Your Love Light
Califone - Wingbone
Kings of Convenience - Misread
Josh Rouse - James
(Smog) - Butterflies Drowned In Wine
Wilco - War on War
Animal Collective - Who Could Win A Rabbit
Xiu Xiu - I Luv the Valley
Morrissey - First of the Gang to Die
Spoon - Small Stakes
Joy Division - Disorder
The Clash -The Magnificent Seven
Hot Hot Heat - Bandages
Spoon - Jonathan Fisk
LCD Soundsystem - Give It Up
The Ramones - Let's Go
Morrisey - Irish Blood, English Heart
The Shins - Kissing the Lipless
Kings Of Convenience - I'd Rather Dance With You
Pavement - Summer Babe
The Flaming Lips - Waitin' for Superman
Wrens - THIS BOY IS EXHAUSTED
The Magnetic Fields - I Don't Really Love You Anymore
Belle & Sebastian - Jonathan David
The Arcade Fire - Crown of Love
Quinteto Tati - A Flor da Vida, a Arte do Encontro
by me
Super Pop Limão - #1 (parte 3) - 25/10/2004
The Grateful Dead - Turn On Your Love Light
Califone - Wingbone
Kings of Convenience - Misread
Josh Rouse - James
(Smog) - Butterflies Drowned In Wine
Wilco - War on War
Animal Collective - Who Could Win A Rabbit
Xiu Xiu - I Luv the Valley
Morrissey - First of the Gang to Die
Spoon - Small Stakes
Joy Division - Disorder
The Clash -The Magnificent Seven
Hot Hot Heat - Bandages
Spoon - Jonathan Fisk
LCD Soundsystem - Give It Up
The Ramones - Let's Go
Morrisey - Irish Blood, English Heart
The Shins - Kissing the Lipless
Kings Of Convenience - I'd Rather Dance With You
Pavement - Summer Babe
The Flaming Lips - Waitin' for Superman
Wrens - THIS BOY IS EXHAUSTED
The Magnetic Fields - I Don't Really Love You Anymore
Belle & Sebastian - Jonathan David
The Arcade Fire - Crown of Love
Quinteto Tati - A Flor da Vida, a Arte do Encontro
by me
Subscrever:
Mensagens (Atom)
